quinta-feira, 21 de julho de 2016

Na paz lunar
de caos em caos
uma galáxia
concentra-se
em sonhar.
Perdido entre
a galáxia de teu ser,
encontro um eu
nesta galáxia
de estar.

De estar
de ser
e estar cansar.
De ser
cansar.
De ter
a luz
pra derramar
um sopro de beijo
em tuas costas
maduras.
Tocar as estrelas maduras
do teu céu
e concentrar meu
abraço
nos teus braços.

Um laço de braços
abraço a galáxia
madura de tua pele.

Um escritor nasce e morre.
E isso nada tem a ver com datas,
mas com a poesia.

O poeta nasce a cada poema escrito.
E morre quando o poema acaba.
Nos primeiros versos,
é ainda criança.
Nos últimos, é um velhinho cansado,
atravessando a rua.
Esperando a morte.
Quando acaba,  é então um velhinho atropelado.
Uma criança que morreu de fome.
Uma mulher que morreu no parto.

Por isso, é por muitas vezes duro  começar um poema.
Como também é terminá-lo.
Nascer e morrer mais de uma vez,
Repetidas vezes.
De diferentes formas.

Se refazer nesse espaço luz que é a poesia é tarefa árdua.
Dolorida.
Prazerosa.
Singular.
Por isso é tarefa tão só do poeta.

O poeta não nasce em 1925 e morre em 1978.
O poeta nasce, por exemplo,
às 23:56 da noite e morre às 5:00 da manhã.

Há dias em que nem se nasce e nem se morre.
Há vezes em que a duração entre o nascimento
e a morte é de dez minutos,
e outras de dez anos.
Essa duração,
independentemente do tempo
é constantemente impregnada
de medo, gozo, suor, lágrimas, sorrisos,

neologismos, metáforas, paixão, e poesia.