Um
escritor nasce e morre.
E
isso nada tem a ver com datas,
mas
com a poesia.
O
poeta nasce a cada poema escrito.
E
morre quando o poema acaba.
Nos
primeiros versos,
é
ainda criança.
Nos
últimos, é um velhinho cansado,
atravessando
a rua.
Esperando
a morte.
Quando
acaba, é então um velhinho atropelado.
Uma
criança que morreu de fome.
Uma
mulher que morreu no parto.
Por
isso, é por muitas vezes duro começar um
poema.
Como
também é terminá-lo.
Nascer
e morrer mais de uma vez,
Repetidas
vezes.
De
diferentes formas.
Se
refazer nesse espaço luz que é a poesia é tarefa árdua.
Dolorida.
Prazerosa.
Singular.
Por
isso é tarefa tão só do poeta.
O
poeta não nasce em 1925 e morre em 1978.
O
poeta nasce, por exemplo,
às
23:56 da noite e morre às 5:00 da manhã.
Há
dias em que nem se nasce e nem se morre.
Há
vezes em que a duração entre o nascimento
e
a morte é de dez minutos,
e
outras de dez anos.
Essa
duração,
independentemente
do tempo
é
constantemente impregnada
de
medo, gozo, suor, lágrimas, sorrisos,
neologismos,
metáforas, paixão, e poesia.