O canto:
não melodiava nada,
nem rimava palavra alguma.
O canto:
era triste e chorava
refletia a luz da aurora.
Dias de domingo que duravam eternidade.
O canto:
tocava pétalas de flores.
Amava a voz doce da moça.
O canto:
era poema de Vinícius,
sonhava e quase gemia.
O canto:
Era longo e intrépido.
O canto
cantava nada.
Só tinha cheiro
de rosa.
amendoeira em flor
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
quinta-feira, 21 de julho de 2016
Na
paz lunar
de caos em caos
uma
galáxia
concentra-se
em sonhar.
Perdido
entre
a galáxia de teu ser,
encontro um eu
nesta galáxia
de
estar.
De
estar
de ser
e estar cansar.
De
ser
cansar.
De
ter
a luz
pra derramar
um sopro
de beijo
em tuas costas
maduras.
Tocar
as estrelas maduras
do
teu céu
e concentrar meu
abraço
nos teus braços.
Um
laço de braços
abraço a galáxia
madura
de tua pele.
Um
escritor nasce e morre.
E
isso nada tem a ver com datas,
mas
com a poesia.
O
poeta nasce a cada poema escrito.
E
morre quando o poema acaba.
Nos
primeiros versos,
é
ainda criança.
Nos
últimos, é um velhinho cansado,
atravessando
a rua.
Esperando
a morte.
Quando
acaba, é então um velhinho atropelado.
Uma
criança que morreu de fome.
Uma
mulher que morreu no parto.
Por
isso, é por muitas vezes duro começar um
poema.
Como
também é terminá-lo.
Nascer
e morrer mais de uma vez,
Repetidas
vezes.
De
diferentes formas.
Se
refazer nesse espaço luz que é a poesia é tarefa árdua.
Dolorida.
Prazerosa.
Singular.
Por
isso é tarefa tão só do poeta.
O
poeta não nasce em 1925 e morre em 1978.
O
poeta nasce, por exemplo,
às
23:56 da noite e morre às 5:00 da manhã.
Há
dias em que nem se nasce e nem se morre.
Há
vezes em que a duração entre o nascimento
e
a morte é de dez minutos,
e
outras de dez anos.
Essa
duração,
independentemente
do tempo
é
constantemente impregnada
de
medo, gozo, suor, lágrimas, sorrisos,
neologismos,
metáforas, paixão, e poesia.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Mais de 85% das letras pousaram num abrigo
para a resistência as novas drogas.
Vamos berrar se for preciso, e é…
Preciso falar de homens bandidos.
De sonhos devorados pelas calçadas,
ou que ainda dormem buscando um lençol, um teto.
Das cabeças esburacadas como as estradas velhas,
e que as matérias destas parecem ser as mesmas.
De livros rasgados nas escolas e a sede de água,
palavra na ponta da língua.
Das sementes queimadas por um fruto humano.
Vamos discutir aqui ou na calçada,
imagens reais que norteiam um verso
a colar eufemismos nas canções.
Mas ocultaremos o nosso pavor diante do desconhecido,
abominaremos qualquer novidade,
o século XXI carrega os pesares de outrora.
Ocultaremos os filhos da lua,
que enlameiam as ruas com suas lágrimas,
onde um desespero é calado por uma moeda
de cinquenta centavos.
Enalteceremos o engravatado,
que em campanha, veste o vermelho sangue
este,
que não representa o escarlate escravo.
Nas lavouras, nos açougues, no chão de qualquer senzala
autorizada -
outorgo e clamo em razão dos mais atacados pelo cão.
Ruflo minha espada a impunidade exala ilusão… só nos resta o
coração.
segunda-feira, 6 de julho de 2015
o poeta não é verso,
o poeta não é rima.
nem lirismo aguçado,
nem vocabulário na ponta da língua.
o poeta não é melodia ritmada,
não é a frase sintaticamente correta,
nem adepto a nova ortografia.
o poeta é dúvida,
é conselho,
é refúgio,
é confusão,
é uma canção obsoleta.
é uma viagem interminável
entre a própria lembrança
e o tempo presente;
entre o conteúdo do tempo
e da poesia.
Mariposa voa,
pássaro voa.
Avião.
Pipa.
Girassol.
Não,girassol,
girassol não voa.
Mas beija-flor sim.
Beija-flor.
Abelha.
Borboleta.
Vaga lume.
Albatroz
Gaivota.
Calopsitas.
Fumaça.
Fada.
Super-homem.
Balão.
Asas deltas.
E eu,
quando a brisa meiga faz-me suspirar,
esqueço a lógica,
realidade;
e voo também.
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