sexta-feira, 10 de julho de 2015

Mais de 85% das letras pousaram num abrigo
para a resistência as novas drogas.

Vamos berrar se for preciso, e é…
Preciso falar de homens bandidos.
De sonhos devorados pelas calçadas,
ou que ainda dormem buscando um lençol, um teto.

Das cabeças esburacadas como as estradas velhas,
e que as matérias destas parecem ser as mesmas.

De livros rasgados nas escolas e a sede de água,
palavra na ponta da língua.

Das sementes queimadas por um fruto humano.
Vamos discutir aqui ou na calçada,
imagens reais que norteiam um verso
a colar eufemismos nas canções.

Mas ocultaremos o nosso pavor diante do desconhecido,
abominaremos qualquer novidade,
o século XXI carrega os pesares de outrora.

Ocultaremos os filhos da lua,
que enlameiam as ruas com suas lágrimas,
onde um desespero é calado por uma moeda
de cinquenta centavos.

Enalteceremos o engravatado,
que em campanha, veste o vermelho sangue
este,
que não representa o escarlate escravo.

Nas lavouras, nos açougues, no chão de qualquer senzala autorizada -
outorgo e clamo em razão dos mais atacados pelo cão.

Ruflo minha espada a impunidade exala ilusão… só nos resta o coração.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

o poeta não é verso,
o poeta não é rima.
nem lirismo aguçado,
nem vocabulário na ponta da língua.
o poeta não é melodia ritmada,
não é a frase sintaticamente correta,
nem adepto a nova ortografia.
o poeta é dúvida,
é conselho,
é refúgio,
é confusão,
é uma canção obsoleta.
é uma viagem interminável
entre a própria lembrança
e o tempo presente;
entre o conteúdo do tempo
e da poesia.
Mariposa voa,
pássaro voa.
Avião.
Pipa.
Girassol.
Não,girassol,
girassol não voa.
Mas beija-flor sim.
Beija-flor.
Abelha.
Borboleta.
Vaga lume.
Albatroz
Gaivota.
Calopsitas.
Fumaça.
Fada.
Super-homem.
Balão.
Asas deltas.
E eu,
quando a brisa meiga faz-me suspirar,
esqueço a lógica,
realidade;
e voo também.