sexta-feira, 10 de julho de 2015

Mais de 85% das letras pousaram num abrigo
para a resistência as novas drogas.

Vamos berrar se for preciso, e é…
Preciso falar de homens bandidos.
De sonhos devorados pelas calçadas,
ou que ainda dormem buscando um lençol, um teto.

Das cabeças esburacadas como as estradas velhas,
e que as matérias destas parecem ser as mesmas.

De livros rasgados nas escolas e a sede de água,
palavra na ponta da língua.

Das sementes queimadas por um fruto humano.
Vamos discutir aqui ou na calçada,
imagens reais que norteiam um verso
a colar eufemismos nas canções.

Mas ocultaremos o nosso pavor diante do desconhecido,
abominaremos qualquer novidade,
o século XXI carrega os pesares de outrora.

Ocultaremos os filhos da lua,
que enlameiam as ruas com suas lágrimas,
onde um desespero é calado por uma moeda
de cinquenta centavos.

Enalteceremos o engravatado,
que em campanha, veste o vermelho sangue
este,
que não representa o escarlate escravo.

Nas lavouras, nos açougues, no chão de qualquer senzala autorizada -
outorgo e clamo em razão dos mais atacados pelo cão.

Ruflo minha espada a impunidade exala ilusão… só nos resta o coração.

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